Fachada de pedra das Ruínas de São Paulo, em Macau, sob céu azul com nuvens, com lampiões e turistas na escadaria.

Macau

Em Macau, a placa de rua é de azulejo azul e branco e fala português e chinês. Você sobe 68 degraus até a fachada de uma igreja que pegou fogo em 1835, e o templo vizinho é chinês.

Melhor época
Outubro a dezembro
Dias sugeridos
2 a 3 dias
Aeroporto
Macau (MFM)
Moeda
Pataca (MOP)Dólar de Hong Kong também aceito
Idioma
ChinêsPortuguêsCantonês (no dia a dia)
Fuso horário
UTC+8

Visão geral

Macau cabe numa caminhada longa, mas não cabe numa frase só. Na península, as ladeiras têm calçada portuguesa, as igrejas dividem a quadra com templos de incenso e o nome da rua aparece em duas línguas. Atravessando as pontes, Taipa e Coloane, hoje ligadas por um grande aterro chamado Cotai, alternam vilas de casas baixas com os hotéis-cassino gigantes das fotos aéreas. São cerca de 33 km² de terra para mais de 700 mil moradores, uma das maiores densidades do planeta, e isso explica a sensação de que tudo fica perto e tudo está cheio.

Os portugueses se fixaram aqui como entreposto comercial em meados do século XVI e administraram o território até 20 de dezembro de 1999, quando Macau passou a ser uma região administrativa especial da China, sob o princípio "um país, dois sistemas". Dessa história ficaram o português como língua oficial ao lado do chinês, as placas de rua bilíngues e a cozinha macaense, que mistura técnicas portuguesas, ingredientes chineses e temperos de outras rotas. Na rua, porém, a língua é o cantonês, e vale chegar sabendo disso.

Para o viajante, a conta é simples: um dia para o centro histórico, inscrito como Patrimônio Mundial pela UNESCO em 2005, e outro para Taipa e Coloane, com pausas estratégicas para comer. Os cassinos estão por toda parte e não dá para fingir que não existem, mas Macau rende muito mais para quem anda a pé, sobe escadaria e entra em padaria.

Você sabia?

  1. A tradição diz que o nome Macau vem do Templo de A-Má: marinheiros portugueses teriam desembarcado ali, perguntado o nome do lugar e ouvido o nome do templo.

  2. As placas de rua trazem português e chinês, mas nem sempre dizem a mesma coisa: a Praceta de 24 de Junho, em chinês, se chama algo como "Praça do Dia da Cidade".

  3. O pastel de nata mais famoso de Macau foi criado por um inglês: Andrew Stow abriu sua padaria em Coloane em 1989 e juntou uma receita britânica de creme à massa folhada portuguesa.

  4. O Teatro D. Pedro V, construído em 1860, é apontado como o primeiro teatro em estilo ocidental da China.

  5. Em 1910, tropas portuguesas enfrentaram piratas que haviam sequestrado crianças em Coloane; foi a última batalha travada por elas em Macau, e a vitória ainda é lembrada com um feriado local em 13 de julho.

Pontos turísticos em Macau

8 pontos turísticos
Praça com calçada portuguesa em ondas preto e branco, fonte ao centro e prédios históricos amarelos e brancos sob céu azul.1
Bairros

Largo do Senado

A praça central da península, coberta de calçada portuguesa e cercada pelo Leal Senado e pela Santa Casa da Misericórdia: a porta de entrada do centro histórico.

Tempo sugerido:1 hRegião:Centro histórico
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Detalhe da fachada esculpida das Ruínas de São Paulo, com estátuas em bronze, anjos em relevo e céu azul ao fundo.2
Religião e arte

Ruínas de São Paulo

A fachada de pedra da antiga Igreja da Madre de Deus, erguida pelos jesuítas entre 1602 e 1640 e destruída por um incêndio em 1835, no alto de 68 degraus.

Tempo sugerido:1 hRegião:Centro histórico
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Guarita de pedra e canhão de ferro sobre o muro da Fortaleza do Monte, sob a copa de uma árvore, em luz quente.3
Museus

Fortaleza do Monte e Museu de Macau

Fortaleza construída entre 1617 e 1626 logo ao lado das Ruínas de São Paulo, com o Museu de Macau no alto do monte e vista de cima para o centro histórico.

Tempo sugerido:1 h 30 a 2 hRegião:Centro histórico
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Dezenas de espirais de incenso em forma de cone penduradas sob um telhado, com muros vermelhos do templo ao fundo.4
Religião e arte

Templo de A-Má

Templo dedicado a A-Má, deusa dos navegantes, concluído em 1488 e mais antigo que a própria cidade; a tradição liga a ele a origem do nome Macau.

Tempo sugerido:45 minRegião:Barra
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Torre de Macau vista do outro lado da água, com a baía, uma ponte em arco e a cidade ao fundo sob céu nublado.5
Mirantes

Torre de Macau

Torre de 338 metros inaugurada em 2001, com mirante no alto e um salto de bungee jump de 233 metros para quem prefere ver a cidade de cabeça para baixo.

Tempo sugerido:1 a 2 hRegião:Sul da península
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Capela de fachada branca e amarela ao lado do Farol da Guia, torre branca com grade azul, contra um céu azul limpo.6
Mirantes

Fortaleza e Farol da Guia

No ponto mais alto da península, uma fortaleza do século XVII guarda uma capela com afrescos redescobertos em 1998 e um farol de 1865.

Tempo sugerido:1 a 1 h 30Região:Colina da Guia
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Casa-museu verde-água de dois andares com varanda, ao lado de um caminho de pedra sob árvores e céu azul.7
Bairros

Vila da Taipa e Casas-Museu

Cinco casas de 1921 transformadas em museu, de frente para um antigo braço de mar, e perto delas a Rua do Cunha, ruela de pedestres tomada por lojas e comida.

Tempo sugerido:2 a 3 hRegião:Taipa
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Fachada amarela e branca da Capela de São Francisco Xavier, com portas azuis, em um largo de calçada ondulada sob céu azul.8
Bairros

Vila de Coloane

Vilarejo no litoral sudoeste de Coloane, com praça de calçada ondulada, uma capela de 1928 e a padaria que lançou o pastel de nata de Macau em 1989.

Tempo sugerido:2 hRegião:Coloane
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Roteiro de 2 dias

Dia 1

A península histórica

  • 1Largo do Senado, logo cedo
  • 2Ruínas de São Paulo e Templo de Na Tcha
  • 3Fortaleza do Monte e Museu de Macau
  • 4Templo de A-Má e Largo da Barra no fim da tarde
  • 5Torre de Macau ao anoitecer
Dia 2

Colina da Guia e as ilhas

  • 6Fortaleza e Farol da Guia, de manhã cedo
  • 7Casas-Museu da Taipa
  • Almoço e petiscos na Rua do Cunha
  • 8Vila de Coloane e pastel de nata na praça
  • Volta por Cotai à noite, só para olhar

Mapa

8 pontos no mapa

Dicas práticas

Chegando de Hong Kong

Dá para vir de ferry ou de ônibus pela ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, aberta em 2018. O ônibus costuma sair mais barato; o ferry, mais caro, é a opção clássica.

Visto

Brasileiros podem entrar em Macau sem visto para estadas curtas, de até 90 dias. Confira as regras atualizadas antes de embarcar, principalmente se vier da China continental.

Dinheiro

A moeda oficial é a pataca, mas o dólar de Hong Kong circula e é amplamente aceito. Ter um pouco das duas evita contas complicadas nas lojinhas.

Clima e tufões

De maio a setembro faz calor úmido, chove muito e pode haver tufão. De outubro a dezembro o tempo fica mais seco e agradável; no inverno, leve um casaco de verdade.

Língua do dia a dia

O português está nas placas, mas a conversa na rua é em cantonês. Ter o nome do destino escrito em chinês no celular ajuda muito com motoristas e balconistas.

Templos e igrejas

Templos como o de A-Má são lugares de culto ativos: fale baixo, não fique na frente dos altares e peça licença antes de fotografar pessoas rezando.

Comer e beber

A cozinha macaense é apontada como um dos primeiros exemplos de cozinha de fusão do mundo: nasceu a partir do século XVI, quando famílias portuguesas tentaram recriar seus pratos com ingredientes chineses e temperos de outras rotas, como cúrcuma, leite de coco e canela. Em 2017, Macau entrou para a rede de Cidades Criativas da Gastronomia da UNESCO. Na prática, você come em três registros: restaurantes macaenses com receitas de família, como bacalhau e galinha à africana; cafés e casas de chá cantonesas; e as padarias de rua, onde o pastel de nata sai do forno o dia inteiro.

Carne moída de boi ou porco refogada com cebola e batata em cubinhos, temperada com shoyu e molho inglês, quase sempre com ovo frito por cima. Cada família tem sua receita.

Massa folhada e recheio mais cremoso que o original português, a versão que Andrew Stow lançou em Coloane. Bom de qualquer jeito, melhor ainda morno.

Costeleta de porco em estilo cantonês dentro de um pão de estilo português. Simples, direto e o lanche que melhor resume a comida de rua de Macau.

Outras cidades na China

Ver China

Fontes e créditos

Fontes consultadas

Créditos das imagens

  • A fachada das Ruínas de São Paulo, o cartão-postal de Macau: da igreja só sobrou a frente, e ela basta.Foto: GG001213 · CC0 · original
  • De perto, a pedra conta a história: santos, anjos, um dragão e até uma caveira, esculpidos por mão portuguesa, japonesa e chinesa.Foto: Iswzo · CC BY-SA 4.0 · original
  • Uma guarita e um canhão no alto da Fortaleza do Monte, com a luz dourada do fim da tarde.Foto: yeowatzup · CC BY 2.0 · original
  • O Largo do Senado: calçada ondulada, fonte e casarões amarelos num cenário que parece Lisboa, mas fica na China.Foto: Bahnfrend · CC BY-SA 4.0 · original
  • Espirais de incenso penduradas no Templo de A-Má: cada uma queima por dias e leva um pedido.Foto: Boonchai C · CC BY 3.0 · original
  • A capela e o Farol da Guia na colina mais alta da península de Macau, com a luz quente do fim do dia.Foto: Pauloleong2002 · CC BY-SA 4.0 · original
  • A Torre de Macau à beira da baía, com a ponte de Sai Van ao lado: o jeito mais fácil de se orientar na cidade.Foto: Diego Delso · CC BY-SA 3.0 · original
  • As casas verde-água da Taipa, de antigos moradores portugueses, enfileiradas sob árvores grandes.Foto: Abasaa · Public domain · original
  • A capelinha amarela de São Francisco Xavier, em Coloane: pequena, simpática e com porta azul.Foto: Yumeto · CC BY-SA 4.0 · original
  • Pastéis de nata de Macau numa caixa aberta, comidos ali mesmo no banco: a versão local é mais tostadinha que a portuguesa.Foto: LN9267 · CC BY-SA 4.0 · original
  • Azulejo azul e branco com nome em português e em chinês: Estrada do Cemitério, o endereço menos romântico da cidade.Foto: Jim 陳 · CC BY-SA 2.0 · original

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